ABERTURA.

ABERTURA.
Ninho na mão. Nascer, crescer, se alimentar e voar.

ABERTURA

Este é um espaço aberto à troca de experiências e divulgação de assuntos da área corpo e movimento na Escola Viva. É um escritório ao ar livre, virtual e real, onde podemos nos organizar, rever conteúdos, refletir e ampliar os assuntos pendentes ou pulsantes que preenchem o universo vivo do Infantil e Fundamental 1. Em termos mais simples, temos um blog para trocarmos idéias de movimentos.

Monday, January 29, 2018

Galpão. Um espaço camaleão.



O camaleão é um animal capaz de se transformar para se adaptar ao ambiente que está. O espaço do galpão é assim também. Ele serve para fazer reuniões com as famílias, reuniões entre professores e coordenadores, funciona como espaço de exposição para os eventos das séries e também como sala de aula para jogos e brincadeiras, dança, capoeira, artes cênicas e taekwon-do. Pode servir de palco para entrevistados na Semana Literária, compartilhamento de experiências na Feira de Ciências, Arraial na Festa Junina e desafios no Intercores, além das baladinhas do Zeca de sexta-feira. Ufa... Haja fôlego para tanta mudança!
Para cada umas dessas atividade o galpão se transforma e nos convida a diferentes atitudes corporais: ora sentamos em cadeiras em reuniões pedagógicas, ora passeamos entre obras produzidas pelos alunos, ora gingamos ao som do pandeiro, atabaque e berimbau, ora dançamos experimentando movimentos diferentes, ora assistimos filmes e conversamos. Enfim, mesmo quando o galpão está vazio, seu espaço está sempre cheio de coisas invisíveis no ar, ideias e pensamentos que viram desafios, poesias, gestos, formas, construindo uma trajetória de estímulo ao conhecimento.
A maioria das pessoas acham que adquirimos conhecimento usando só a parte de cima do nosso corpo, ou seja, a cabeça, mas muitos estudos já comprovaram que não é bem assim. Não é só a cabeça que aprende. Nós aprendemos com todo o nosso corpo. Dentre os cinco sentidos, é verdade que quatro deles, a saber: visão, audição, o olfato e paladar, concentram-se na parte superior do corpo, porém o tato, geralmente só é lembrado pelas mãos que sentem o quente, áspero, fofuras, espinhos, etc. Mas você sabia que temos essa inteligência por toda a pele? Sim. Toda, todinha. A pele é um orgão que parece um grande tecido, flexível, meio elástico, que serve como um manto sem emendas cobrindo a gente por inteiro, do couro cabeludo à sola dos pés. Ele nos dá contorno e nos protege.

Bom, imagino que agora você deve estar se perguntando o que o galpão, o camaleão e a pele tem haver? O galpão é um ambiente, o camaleão é um ser vivo como nós e a pele é o que separa o dentro do fora. Entender que escolhemos cuidar bem da nossa parte de dentro melhora nossa presença na parte de fora, no mundo externo. Saber que a cada momento o galpão nos convida a ter uma postura diferente faz lembrar que, assim como o camaleão, podemos adaptar jeitos de estar no mundo sem perdermos a essência de quem somos. 

 Reforma do piso em 2015
 Usando toda a área nas aulas de dança em 2016



Não é em qualquer lugar que você deve chegar tirando os sapatos e sentar no chão, mas para o estudo do movimento nas aulas de dança, o contato da pele com o chão é fundamental, justamente por isso a Sônia e a Neide da equipe da limpeza do F1 tem o cuidado de varrer e passar um pano úmido no chão antes de cada aula de dança. Elas sabem que conforme crescemos vamos nos afastando dos pés e que olhamos para eles quando não o vemos, quando estão calçados com chuteiras, botas, crocs entre outros pisantes lindos que vejo passeando por aqui.
Mas nas aulas de dança a porta de entrada para prestarmos atenção na presença do corpo é o contato dos pés com o chão. Eles merecem! A letra do autor Hélio Ziskind diz tudo: “meu pé, meu querido pé que me aguenta o dia inteiro” merece se libertar um pouco dos sapatos.

Para quem não está acostumado, nem sempre é fácil ficar descalço nas aulas. Parece ser algo difícil, mas aqui podemos trocar a palavra difícil por diferente. Este é um jeito diferente de aprender coisas na escola, pois sempre fazemos aulas descalços para sentirmos bem onde estamos em cada passo. É como se o chão fosse as folhas do caderno e nossos pés (futuramente todo o corpo) é a ferramenta de riscar, escrever e desenhar. Já as meias não são bem vindas, elas seriam como as borrachas velhas que deixam um borrão e apagam as vezes danificando o papel. Fazer aulas com meias é proibido porque a pouca aderência do pés no chão faz aumentar a chance de acidentes por deslize e ninguém acha legal se machucar. Quando o frio chegar, poderemos ficar de meia sem correr ou até usar o tênis - mas só quando a professora deixar. Se por alguma razão de saúde o pé tiver que ser privado deste prazer, a família deverá enviar um comunicado por escrito aqui para a escola para podermos ajudar a cuidar do problema.

Roda de aquecimento. Aula de dança 2017
 
Como somos bípedes estamos sujeitos `a lei da gravidade. Ela nos obriga a saber pisarmos bem no chão para organizarmos nossa postura de pé. Como já sabemos andar parece que é fácil ficar assim, mas observe um bebê que está aprendendo a andar. Repare nos ajustes que ele faz para se equilibrar. Já faz tempo que sabemos andar e nem pensamos mais nisso, mas mesmo sem pensarmos, nossa inteligência continua absorvendo tudo do ambiente que nos cerca. Quando estamos de sapatos esta inteligência corporal fica menos estimulada. Em termos técnicos pode-se dizer que o contato dos pés descalços em diferentes geografias melhora nossa propriocepção*. Por isso faz parte das aulas de dança reconhecer, explorar e valorizar os pontos de apoio que ficam na sola dos pés.

Propriocepção também denominada como cinestesia, é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares que trabalham para manter o corpo na sua base de sustentação, de informações táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno.[1]
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Propriocep%C3%A7%C3%A3o


                                                                      Exposições temporárias. Obra dos alunos.

Trem do 3ºB no galpão com a exposição nos olhando.


Professor continua estudando!

No início de 2017 enquanto Assessora na Área Corpo e Movimento, facilitei lá no galpão uma vivência para todos os segmentos da Escola Viva, do Ensino Infantil ao Ensino Médio. Assim durante a Semana de Planejamento, os adultos também colocaram-se no lugar de alunos na experimentação do espaço, de suas memórias e seu estado presente, fazendo despertar uma sensação de integridade em seus corpos, inteligências e sentimentos. Aqui alguns registros com minhas intervenções gráficas para resaltar os conteúdos vivenciados.




 Que sigamos em movimento, abertos aos desafios como catalizadores de nossas potências.



No comments:

Post a Comment