O camaleão é um animal capaz de se
transformar para se adaptar ao ambiente que está. O espaço do galpão é assim
também. Ele serve para fazer reuniões com as famílias, reuniões entre
professores e coordenadores, funciona como espaço de exposição para os eventos
das séries e também como sala de aula para jogos e brincadeiras, dança,
capoeira, artes cênicas e taekwon-do. Pode servir de palco para entrevistados
na Semana Literária, compartilhamento de experiências na Feira de Ciências, Arraial
na Festa Junina e desafios no Intercores, além das baladinhas do Zeca de
sexta-feira. Ufa... Haja fôlego para tanta mudança!
Para cada umas dessas atividade o galpão se
transforma e nos convida a diferentes atitudes corporais: ora sentamos em
cadeiras em reuniões pedagógicas, ora passeamos entre obras produzidas pelos alunos, ora gingamos ao som do pandeiro, atabaque e berimbau, ora dançamos experimentando movimentos diferentes, ora assistimos filmes e conversamos. Enfim, mesmo quando o galpão está vazio, seu espaço
está sempre cheio de coisas invisíveis no ar, ideias e pensamentos que viram
desafios, poesias, gestos, formas, construindo uma trajetória de estímulo ao
conhecimento.
A maioria das pessoas acham que adquirimos
conhecimento usando só a parte de cima do nosso corpo, ou seja, a cabeça, mas
muitos estudos já comprovaram que não é bem assim. Não é só a cabeça que aprende. Nós aprendemos com todo o nosso
corpo. Dentre os cinco sentidos, é verdade que quatro deles, a saber: visão, audição, o olfato e
paladar, concentram-se na parte superior do corpo, porém o tato, geralmente só é
lembrado pelas mãos que sentem o quente, áspero, fofuras,
espinhos, etc. Mas você sabia que temos essa inteligência por toda a pele? Sim. Toda, todinha. A pele é
um orgão que parece um grande tecido, flexível, meio elástico, que serve como
um manto sem emendas cobrindo a gente por inteiro, do couro cabeludo à sola dos
pés. Ele nos dá contorno e nos protege.
Bom, imagino que agora você deve estar se
perguntando o que o galpão, o camaleão e a pele tem haver? O galpão é um
ambiente, o camaleão é um ser vivo como nós e a pele é o que separa o dentro do
fora. Entender que escolhemos cuidar bem da nossa parte de dentro melhora nossa
presença na parte de fora, no mundo externo. Saber que a cada momento o galpão
nos convida a ter uma postura diferente faz lembrar que, assim como o camaleão,
podemos adaptar jeitos de estar no mundo sem perdermos a essência de quem somos.
Reforma do piso em 2015
Usando toda a área nas aulas de dança em 2016
Não é em qualquer lugar que você deve chegar tirando os sapatos e sentar no chão, mas para o estudo do movimento nas aulas de dança, o contato da pele com o chão é fundamental, justamente por isso a Sônia e a Neide da equipe da limpeza do F1 tem o cuidado de varrer e passar um pano úmido no chão antes de cada aula de dança. Elas sabem que conforme crescemos vamos nos afastando dos pés e que olhamos para eles quando não o vemos, quando estão calçados com chuteiras, botas, crocs entre outros pisantes lindos que vejo passeando por aqui.
Mas nas aulas de dança a porta de entrada
para prestarmos atenção na presença do corpo é o contato dos pés com o chão. Eles
merecem! A letra do autor Hélio Ziskind diz tudo: “meu pé, meu querido pé que
me aguenta o dia inteiro” merece se libertar um pouco dos sapatos.
Para quem não está acostumado, nem sempre é
fácil ficar descalço nas aulas. Parece ser algo difícil, mas aqui podemos
trocar a palavra difícil por diferente. Este é um jeito diferente de aprender
coisas na escola, pois sempre fazemos aulas descalços para sentirmos bem onde
estamos em cada passo. É como se o chão fosse as folhas do caderno e nossos pés
(futuramente todo o corpo) é a ferramenta de riscar, escrever e desenhar. Já as
meias não são bem vindas, elas seriam como as borrachas velhas que deixam um
borrão e apagam as vezes danificando o papel. Fazer aulas com meias é proibido
porque a pouca aderência do pés no chão faz aumentar a chance de acidentes por
deslize e ninguém acha legal se machucar. Quando o frio chegar, poderemos ficar
de meia sem correr ou até usar o tênis - mas só quando a professora deixar. Se
por alguma razão de saúde o pé tiver que ser privado deste prazer, a família
deverá enviar um comunicado por escrito aqui para a escola para podermos ajudar
a cuidar do problema.
Roda de aquecimento. Aula de dança 2017
Como somos bípedes estamos sujeitos `a lei
da gravidade. Ela nos obriga a saber pisarmos bem no chão para organizarmos
nossa postura de pé. Como já sabemos andar parece que é fácil ficar assim, mas
observe um bebê que está aprendendo a andar. Repare nos ajustes que ele faz
para se equilibrar. Já faz tempo que sabemos andar e nem pensamos mais nisso,
mas mesmo sem pensarmos, nossa inteligência continua absorvendo tudo do
ambiente que nos cerca. Quando estamos de sapatos esta inteligência corporal fica
menos estimulada. Em termos técnicos pode-se dizer que o contato dos pés
descalços em diferentes geografias melhora nossa propriocepção*. Por isso faz
parte das aulas de dança reconhecer, explorar e valorizar os pontos de apoio
que ficam na sola dos pés.
Propriocepção também denominada como cinestesia, é o termo
utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do
corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de
cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo
específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas
atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares que trabalham para
manter o corpo na sua base de sustentação, de informações táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno.[1]
Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Propriocep%C3%A7%C3%A3o
Trem do 3ºB no galpão com a exposição nos olhando.
Professor continua estudando!
No início de 2017 enquanto Assessora na Área Corpo e Movimento, facilitei lá no galpão uma vivência para todos os segmentos da Escola Viva, do Ensino Infantil ao Ensino Médio.
Assim durante a Semana de Planejamento, os adultos também colocaram-se
no lugar de alunos na experimentação do espaço, de suas memórias e seu
estado presente, fazendo despertar uma sensação de integridade em seus corpos,
inteligências e sentimentos. Aqui alguns registros com minhas
intervenções gráficas para resaltar os conteúdos vivenciados.
Que sigamos em movimento, abertos aos desafios como catalizadores de nossas potências.












































































































































































