ABERTURA.

ABERTURA.
Ninho na mão. Nascer, crescer, se alimentar e voar.

ABERTURA

Este é um espaço aberto à troca de experiências e divulgação de assuntos da área corpo e movimento na Escola Viva. É um escritório ao ar livre, virtual e real, onde podemos nos organizar, rever conteúdos, refletir e ampliar os assuntos pendentes ou pulsantes que preenchem o universo vivo do Infantil e Fundamental 1. Em termos mais simples, temos um blog para trocarmos idéias de movimentos.

Tuesday, July 5, 2016

CORPO DE CRIANÇA, MENTE DE ADULTO


Quando a pergunta era sobre o corpo das crianças, a vivência mais forte trazida por educadores e responsáveis eram de procedimentos e assuntos relacionados aos estados de desequilibrios: tosse, febre, dor de garganta, nariz escorrendo, etc.
Claro que tratam-se de preocupações pertinentes. As chamadas doenças da infância geralmente são alertas. Há linhas que resaltam, dentre outros aspectos afetivos e psicológicos, o quanto esses sintomas físicos fazem parte do amadurecimento natural do sistema imunológico das crianças.
Mas em quais outros momentos podemos observar (aprender e ensinar) pessoas sob a perspectiva da integridade do sujeito que habita os corpos físicos?
Vejam. Existem outras coisas que vivemos na mídia corporal: temperatura, cheiro, respiração e inúmeras possibilidades de movimentos e expressões.
Para falar a respeito do trabalho com educação, criança e movimento, devemos pensar na realidade das crianças. Pensaram? Já mudou!  
É assim. Com uma velocidade incrível e energia de sobra, elas estão a todo instante olhando, mexendo, imitando, associando coisas e incorporando o mundo.
Nós enquanto pais, educadores ou pessoas que cuidam e convivem diariamente com a criança, devemos ficar atentos as informações não verbais que passamos. Devemos ser verdadeiros e bem intencionados para ensinar princípios e limites que nesse período da infância ainda estão em constante transformação.
Integridade é a palavra. Brincadeira também.
Brincadeira divertida e séria. Brincadeiras com o corpo, com os objetos, com as palavras.
Elenquei algumas dicas que podem ajudar:
·     Não se sintam ridículos fazendo vozes de personagens que permeiam o universo da criança. Acreditem no faz de conta que elas propõe.
·     Não disperdissem oportunidades de tocar a criança. Toquem com sabedoria. Nossas mão são instrumentos poderosos. Adequando a energia podemos com toques firmes e lentos fazer com que a criança acalme, enquanto que com toques leves fazermos com que elas tonifiquem e vigorem seus corpos, sua atenção. Os pés são ótimos de serem massageados, principalmente porque quanto mais crescemos, mais nos distanciamos deles. As costas também, afinal não é porque não a vemos que ela não existe.
·     Sentem no chão e vejam o mundo sob o ponto de vista deles. Observe a relação de altura dos móveis da classe ou de casa repare como é importante ter cantos para aninhar, fazer cabana, pontes, castelos, cozinhas. Sentar no chão pode ser muito bom para a postura e rolar é uma boa maneira de massagear os orgãos.
·     Sejam sempre atentos aos movimentos expontâneos das crianças e quando cabível, nomeie-os para que fique claro tanto na consciência cinética/corporal quanto na mental o que ela acabou de realizar. Assim, ela incorpora seus feitos e os acessa quando e como for nescessário.
·     Em relação a manipulação alguns pontos estruturais ajudam muito:
a)  sustentar bem o quadril da criança quando ela está no colo;
b)  no caso dos bebês, amparar os primeiros passos pelas costelas;
c)  durante a amamentação é sempre bom dar referência na base dos pés. Posteriormente andar descalço e em terrenos de diferentes texturas como areia, terra, pedra, cimento, grama para estimular o arco do pé.
·     Incentivem a criança a se sentar com os joelhos para fora e sobre os ísquios, trazendo assim a postura ereta da coluna;
·     Saibam que desafios de pular, encostar a mão no alto, balançar, girar para ficar tonto, escalar e se pendurar são super estimulantes.

É o movimento que lubrifica as articulações. Geralmente o enrigecimento ocorre como consequência do desuso, portanto bom senso e justa medida na dose do cuidado. Se evitamos demasiadamente que a criança caia, ou então se ao cair nos precipitamos para levanta-la o mais rápido possível, como ela saberá sobre seu peso, sobre rolar, apoiar e amortecer impacto? Qualquer machucadinho ou sangue se transforma em um grande problema e a criança não aprende a se relacionar com a dor. Lembrem se que todos produzimos endorfina, mesmo crianças.
O corpo aprende fazendo. Quando olhamos alguem andando de bicicleta, nosso cérebro processa informações a este respeito tais como as pernas realizam movimentos circulares, o ciclista olha para frente, há um balanço no seu tranco…tudo isso é muito importante mas sobre a experiência do equilíbrio e o prazer do se deslocar faltam palavras para descrever. A experiência deve ser vivida .
Creio que algumas destas dicas podem ser absorvidas e praticadas e ajudarão muito na educação corporal da criança.
Podemos viver bem informados e isso é fácil, mas desejo que vivamos bem vividos nossas vidas, com estes corpos gordo, magro, duro ou mole, seja o que for… não importa. É o seu corpo, sua casa, passível (até certo ponto de mudanças), mas que definitivamente te acompanhará até o fim.
     
FIM.

PS: … e o corpo continua aí. Recomeçe.


Livros que possam interessar:

"O bebê e a coordenação motora: os gestores apropriados para lidar com a criança" de Marie-Madelaine Beziers e Yva Hunsinger. Summus, 1994.
"Gestos de cuidado, gestos de amor: orientações sobre o desenvolvimento do bebe" de Andre Trindade, Summus, 2007.
"A coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem" de Suzanne Piret e Marir-Madeleine Beziers. Summus, 1992.

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