Quando a pergunta era sobre o corpo das crianças, a vivência mais
forte trazida por educadores e responsáveis eram de procedimentos e assuntos relacionados aos
estados de desequilibrios: tosse, febre, dor de garganta, nariz escorrendo, etc.
Claro
que tratam-se de preocupações pertinentes. As chamadas doenças da infância
geralmente são alertas. Há linhas que resaltam, dentre outros aspectos afetivos e psicológicos, o quanto esses sintomas físicos fazem parte do amadurecimento natural do sistema imunológico das crianças.
Mas em quais outros momentos podemos observar (aprender e ensinar) pessoas sob a perspectiva da integridade do sujeito que habita os corpos físicos?
Mas em quais outros momentos podemos observar (aprender e ensinar) pessoas sob a perspectiva da integridade do sujeito que habita os corpos físicos?
Vejam. Existem outras coisas que vivemos na mídia corporal: temperatura, cheiro, respiração e inúmeras possibilidades de
movimentos e expressões.
Para falar a respeito do trabalho com educação, criança e movimento, devemos pensar na realidade das crianças. Pensaram? Já mudou!
É
assim. Com uma velocidade incrível e energia de sobra, elas estão a todo instante
olhando, mexendo, imitando, associando coisas e incorporando o mundo.
Nós
enquanto pais, educadores ou pessoas que cuidam e convivem diariamente com a
criança, devemos ficar atentos as informações não verbais que passamos. Devemos
ser verdadeiros e bem intencionados para ensinar princípios e limites que
nesse período da infância ainda estão em constante transformação.
Integridade
é a palavra. Brincadeira também.
Brincadeira
divertida e séria. Brincadeiras com o corpo, com os objetos, com as palavras.
Elenquei algumas dicas que podem ajudar:
Elenquei algumas dicas que podem ajudar:
·
Não se sintam ridículos fazendo vozes de personagens que permeiam o
universo da criança. Acreditem no faz de conta que elas propõe.
·
Não disperdissem oportunidades de tocar a criança. Toquem com
sabedoria. Nossas mão são instrumentos poderosos. Adequando a energia podemos
com toques firmes e lentos fazer com que a criança acalme, enquanto que com
toques leves fazermos com que elas tonifiquem e vigorem seus corpos, sua
atenção. Os pés são ótimos de serem massageados, principalmente porque quanto
mais crescemos, mais nos distanciamos deles. As costas também, afinal não é
porque não a vemos que ela não existe.
·
Sentem no chão e vejam o mundo sob o ponto de vista deles. Observe a
relação de altura dos móveis da classe ou de casa repare como é importante ter cantos para
aninhar, fazer cabana, pontes, castelos, cozinhas. Sentar no chão pode ser
muito bom para a postura e rolar é uma boa maneira de massagear os orgãos.
·
Sejam sempre atentos aos movimentos expontâneos das crianças e quando
cabível, nomeie-os para que fique claro tanto na consciência cinética/corporal
quanto na mental o que ela acabou de realizar. Assim, ela incorpora seus feitos
e os acessa quando e como for nescessário.
·
Em relação a manipulação alguns pontos estruturais ajudam muito:
a) sustentar bem o quadril da
criança quando ela está no colo;
b) no caso dos bebês, amparar os
primeiros passos pelas costelas;
c) durante a amamentação é
sempre bom dar referência na base dos pés. Posteriormente andar descalço e em
terrenos de diferentes texturas como areia, terra, pedra, cimento, grama para
estimular o arco do pé.
·
Incentivem a criança a se sentar com os joelhos para fora e sobre os
ísquios, trazendo assim a postura ereta da coluna;
· Saibam que desafios de pular, encostar a mão no alto, balançar, girar para ficar tonto, escalar e se
pendurar são super estimulantes.
É o
movimento que lubrifica as articulações. Geralmente o enrigecimento ocorre como
consequência do desuso, portanto bom senso e justa medida na dose do cuidado.
Se evitamos demasiadamente que a criança caia, ou então se ao cair nos
precipitamos para levanta-la o mais rápido possível, como ela saberá sobre seu
peso, sobre rolar, apoiar e amortecer impacto? Qualquer machucadinho ou sangue
se transforma em um grande problema e a criança não aprende a se relacionar com
a dor. Lembrem se que todos produzimos endorfina, mesmo crianças.
O
corpo aprende fazendo. Quando olhamos alguem andando de bicicleta, nosso
cérebro processa informações a este respeito tais como as pernas realizam
movimentos circulares, o ciclista olha para frente, há um balanço no seu tranco…tudo
isso é muito importante mas sobre a experiência do equilíbrio e o prazer do se
deslocar faltam palavras para descrever. A experiência deve ser vivida .
Creio
que algumas destas dicas podem ser absorvidas e praticadas e ajudarão muito na
educação corporal da criança.
Podemos
viver bem informados e isso é fácil, mas desejo que vivamos bem vividos nossas
vidas, com estes corpos gordo, magro, duro ou mole, seja o que for… não
importa. É o seu corpo, sua casa, passível (até certo ponto de mudanças), mas
que definitivamente te acompanhará até o fim.
FIM.
PS:
… e o corpo continua aí. Recomeçe.
"Gestos de cuidado, gestos de amor: orientações sobre o desenvolvimento do bebe" de Andre Trindade, Summus, 2007.
"A coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem" de Suzanne Piret e Marir-Madeleine Beziers. Summus, 1992.
Livros que possam interessar:
"O bebê e a coordenação motora: os gestores apropriados para lidar com a criança" de Marie-Madelaine Beziers e Yva Hunsinger. Summus, 1994."Gestos de cuidado, gestos de amor: orientações sobre o desenvolvimento do bebe" de Andre Trindade, Summus, 2007.
"A coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem" de Suzanne Piret e Marir-Madeleine Beziers. Summus, 1992.