Receber o carinho dos alunos e suas famílias no dia dos
professores é o máximo! Entre bilhetes escritos pelas crianças com as ondas da
caligrafia fresquinha trazendo o som e o aroma das palavras e mensagens ditas pelos pais agradecendo-nos por ajudar seus filhos a
despertarem para a aventura da vida, vi lembrancinhas transformarem-se em super presentes. Porém um presente em especial teve hoje a potência de um
vulcão. Colocou-me perplexa diante da apropriação dos alunos.
Faço parte da Balangandança Cia desde a sua formação em 1997 e desde então pesquisamos a linguagem da dança contemporânea para crianças buscando
pulverizar bons frutos, porém muitas vezes não sabemos exatamente o alcance das ações e nem se
estamos realmente atingindo e perpetuando arte e vida. Apenas lançamos no vento.
Eis que soube que dia 10/10/15, justo no dia em que não dançei “Ninhos” da
Balangandança Cia no Sesc Pinheiros, dois alunos da Escola Viva sem saber da
minha história na companhia assistiram a performance e no fechamento comentaram em voz alta perta da Clara
Gouveia, dançarina da Cia:
-
Nossa professora ia adorar essa dança.
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Quem é a sua professora?
-
A Dafne.
-
Ela faz esse espetáculo! Amanhã estará aqui.
No dia seguinte um dos meninos voltou com o pai e assitiu novamente.
Preciso dar nome aos pássaros que deram norte `a viagem. Hoje, duas semanas depois, Lourenço e Ricardo levaram apitos
de pássaros para fazer o trabalho para a classe deles. Convidaram Letícia, estagiária nas aulas de dança, para compor a improvisação com
eles e pediram para que no início da aula eu conversasse com a platéia. Sim,
lógico.
Entrada, apresentação do tema, interatividade e conclusão. Passaram por todas as etapas!
Ele não fizeram igual ao espetáculo "Ninhos". Eles fizeram melhor. Adaptaram o
roteiro para proporcionar a essência, a alma, aquilo que de mais precioso no
trabalho para os colegas havia ficado com eles.



